30 de jun de 2007

Beijo


Beijo o mundo como fosse madrugada.
Apalpo as fronteiras do tempo:
delicadeza fotográfica.

Minhas pálpebras pinçam devaneios pubianos
na busca de encravadas memórias
e raízes minúsculas
de arrepios
no ato.

27 de jun de 2007

Ling-Ling


26 de jun de 2007

Binômio de Janis



2 litros de coca-cola, 1 par de óculos, 2 mãos, plantas nos pés — duas e a vontade de jogar ping-poing e tênis. Experiências de dupla-penetração, mas só depois de dar um dois. Narinas obstruídas pela dupla vontade, a de arrotar a corrosiva coca e a de não parar de beber no canudo, apesar de cessar o fôlego.

Tudo isso seria uma chatice se eu e Joplin não fossemos irmãs,
siamesas.

25 de jun de 2007

Cocaïne, 1998 - Lilian BOURGEAT


23 de jun de 2007

Teu torso,
Vênus de Milo,
seduz meu esforço
a recosturar
um novo esboço
marmóreo pro teu dorso.

Minhas mãos sequiosas
tua cútis, de pó
rosa continência
ávida por fertilidade
no torno.

Devolvo às tuas ancas
o que nunca tiveram
contorno.

Como o bicho da seda reteso
teço a manhã, nas maçãs
do teu rosto
e por trás redundantes cachos,
inéditos, inauditos, incólumes
de tenra carna
dura curva

Ao Hades!
Meu legado: penetrar-te, reconduzir-te.
Eu, Orfeu, desejo cegueira.
E teus sempre virgens atalhos
Tornam-se meu beco, meu regaço,
sem retorno.

22 de jun de 2007

I.
a mudez da palavra que te veste
em si nua - grande cartilha agreste
de nuances nonsense, se insinua
oblíqua nos lábios, meu lápis sua

língua nas virilhas, significado
das armadilhas - ambíguas carícias
nas ancas, essas ilhas tão entrelinhas
fingidas desde as margens com hiatos

(casaco de pele de textos, sílabas
feitas com retalhos, tons, narrativas
tônicas, teu clitóris, minha vírgula)

do meu verbo pacato, que demora
no teu seio, guardando das histórias
no olhar, a sintaxe da hora assídua