29 de nov de 2007

Poética Articulatória

Há uma gota de saliva em cada poema.
Sibila suando nos tímpanos.

Címbalo e cítara: a úvula dedilha
e batuca a língua. Backing vocal
vibrando as sílabas, as bandas
se esforçam e esticam o plasma
no organismo que o recita.
O lábio vela pelas pausas,
incita, vírgula após vírgula,
um hiato
— hálito de sobrevida.

Tamboriladas se perfilam e tombam
quando na voz átona seu tônus
definha em um rumor de linfa.

A vitalidade auricular suscita
oráculos ressuscitando timbres.

19 de nov de 2007

Amélia Begins

Stand by me now!,
mas não me deixe
na expectativa
derradeira
imploro!

Faz minha cama
na geladeira
ao menos

mas não me deixe
vitelo gordo para o
pródigo retorno

7 de nov de 2007

Opúsculo das traições

Entre enganar-se e beijar
a face de Jesus uma pisca
dela e lá vai fora da bacia
uma enxurrada. Mentiras
bem contadas (e de pernas
longas) escondidas na manga
sustentam a sanidade como
trunfo bem guardado. Teus

ombros não suportam o mundo
do triunfo das tradições que os
olhos não vêem mas doem
na costela e no cotovelo
latejando o isola três vezes
batidos necessariamente
na face de madeira.