24 de mar de 2008

Oceano Ínsito

o oceano ínsito regurgita
as preces de sempre
e o pra si mesmo
da coisa não é bem
o que parece
convulsão lancinante
um pedido de socorro
mas não se engane
é ânsia de vômito
ele rumina espuma
em redemoinhos
de propósitos obscuros
e incomunicáveis
não se engane
não é rancor
e isso de nada é
metáfora
o intransitivo reverbera em círculos
e disso se espera
como eu de você
que a dor seja honesta e
se precipite no lugar certo
como na arrebentação
se provoca um aerosol de maresia
numa praia artificial
com ondas artificiais
e um calor mormaço
ah! aí fica claro o desvio de caráter
não é?
a tecnologia de iemanjá
não se engane
acabe
com as instalações
tácitas deste oceano ínsito
de metástases
acaba
parasita
e dá fluxo ao lago de transações
poças súbitas e movediças
o oceano ínsito é sórdido
e sórdidas são
as nossas generalizações
enganando nossos corpos
expostos ao ridículo

pérolas vendidas

por obra do ostracismo

12 de mar de 2008

A-Sophia

sua arrogância
é imperdoável
de se meter na poesia alheia
como um ginecologista
Sophia
tire estas luvas
e não venha me dizer
que devo escrever como
se a poesia fosse matéria
do estado ou de justiça
Sophia
de fato ela é
matéria de um estado
de ânimo
matiz de um caráter
uma bula para se saber
caminhar entre as paisagens
sem ter uma overdose
Sophia
a sua poesia me dá agonia
são tantas imagens justas
e tanto cheiro de maresia
tarja preta total
o mundo não precisa
ser harmônico
e as formas não precisam ser fixas
a arquitetura se precisa nas irregularidades
das ruínas
uma goteira vale mais que uma bacia