26 de jun de 2008

26 de junho

Desculpo-me pela demora nas postagens, estou tentando decodificar o inglês crioulo e a escrita criptografada das anotações esparsas do diário manuscrito, que acabou parando em minhas mãos nos últimos dias, e de possível autoria de Muhammad Al Hussain. Apesar desse suposto árabe ser uma figura obscura da história recente, inclusive nos catálogos anti-terror disponíveis na Internet, há em seu diário algumas informações importantes no que diz respeito à movimentação árabe no ocidente. Acredito que além de ser um documento político-histórico, há no texto fragmentos de práticas de escrita pouco conhecidas por nós, e que em muito se relacionam com certa religiosidade islãmica.

20 de jun de 2008

diário árabe - 20 de junho

"Mas dúvidas e amores
escavam o mundo
como uma toupeira, como a lavradura.
E um sussurro será ouvido no lugar
onde houve uma casa
que foi destruída."

Yehuda Amichai, O lugar que temos razão


na parede a burca sem corpo tampa o rombo. ao observar sentiu a velha coceira na garganta, o trazia de volta. incrustada de azougue e azinhavre a ferida, a garganta, rascava sob o fel, o metal fendido, o papel laminado e os lastros de lodo — pigarro. vascular a terra, e a passagem solar, pulsava pelo rombo na parede ao vasculhar na borda de sua artéria, à mostra, e a visão da rua na parede transpassava. há uma maneira sequer de desencorajar ou esquecer a dor? falência, desbunde e desnutrição, tudo ao mesmo tempo, na respiração, e a rua com o tráfego de sempre, o quarto ocupava a tarefa de borda. ofegava. repetia as mesmas palavras à burca, ouvia em um tom cada vez menor a própria voz. doía antes, o sol nascia aos pingos, aos poucos e arranhava seus olhos, nos mamilos, ofendendo-os quadrado na fenda, o olho é uma fenda. rachadura na cerâmica, carne viva, plástico; ao meio do dia todas as fechaduras estarão trancadas, as tatuagens e os papéis de parede se imiscuirão, no dia final. a burca (a dúvida) redimirá a nudez, a queda da cortina, e o corpo brilhará sozinho

14 de jun de 2008

Samuel Beckett - Beckett on film

O projeto “Beckett on Film” foi idealizado por Michael Colgan, diretor artístico do Gate Theatre de Dublin, onde em 1991 produziu o Beckett Festival, pondo em cena as dezenove peças de Samuel Beckett durante um período de três semanas. O sucesso do festival foi tão grande que foi levado ao Lincon Center de Nova Iorque em 96, vindo a repetir-se em anos seguintes, tendo o último sido realizado no Barbican Center em Londres. Em 1996 Colgan, associando-se a Alan Moloney, produz o projeto “Beckett on Film”, com a RTE, Channel 4 e o Irish Film Board. O projeto “Beckett on Film”, reúne pela primeira vez a gravação de todas as dezenove peças de teatro de Samuel Beckett (“Waiting for Godot”, “Krapp’s Last Tape”, “Happy Days”, “Endgame”, “Not I”, “What Where”, “Catastrophe”, “Act Without Words II”, “Rough for Theatre I”, “Footfalls”, “Rough for Theatre II”, “A Piece of Monologue”, “Ohio Impromptu”, “Come and Go”, “Breath”, “Play”, “Act Without Words I”, That Time” e “Rockaby”), realizadas e interpretadas por alguns dos mais interessantes realizadores e atores da atualidade.


Act without words - 1



Breath



Ohio Impromptu

6 de jun de 2008

Cinco perguntas que não podem ser feitas a um poeta genial

1. O que você quis dizer com isso?
2. Qual foi sua inspiração?
3. Você conhece Fernando Pessoa?
4. Que profundo! Pra quem você escreveu?


A quinta eu não me atreveria a fazer.