21 de jul de 2008

Criações Coletivas I

i.

Por Ibn Hadrach

Tendo atravessado nascentes
Onde é evidente um
Dia demasiado fundo
Ando em rumo ao fundo do mundo,
Mas este não está lá...
E ainda que as revistas sejam blitz
Caminhando contra o vento
Com um toque de sabor
Amargo e doce, insosso e apimentado
Já não sinto e falo

ii.

Ah, que desvario
Entre gregos e
Etruscos quando
Passo por suas mulheres
Indescritíveis,
Porém sabemos quem somos
A complicação simples e ingênua
Da rosa vermelha não recebida
Por entre os dedos a areia permanece
Trazendo a leveza da pena
Que flutua na alma
15 milhões de informações
A terra treme


Os poemas acima foram criações coletivas (e semi-aleatórias). Os autores, além de mim, são: Ana Assunção; Carlos Andreas; Isabel Wilker; Paulo Gravina; Renata Varella; e Vanessa Gouveia.

15 de jul de 2008

Monólogos a 2

1. Pra começar

Todas as esperanças poderiam ser duradouras, até que o que se espera finalmente acontece. A concretização é a frustração da esperança, já tinha pensado nisso? Claro que não. Gostaria de ter de você mais do que audição. Para começar. E o que você quer de mim, então?!, além de audição. Faço o que você não espera, logo tem o que precisa, a não frustração, tola. O que espera de mim? Talvez eu seja tão óbvio quanto você precisa. 'Para começar?!', que me pague uma bebida, a mais cara. Sou tão pouco feminina a ponto de não me oferecer uma bebida? Pagaria sua bebida, se eu soubesse o que bebe, o que quer beber? O mesmo que você (percebe-se o quão pouco sabe sobre as mulheres). (Pausa) 2 Whiskys, por favor. Beberemos aqui mesmo? Pra começar, sim. Ou você é tão óbvia a ponto de transar comigo no primeiro encontro? A surpresa pressupõe a obviedade. Sou um idiota, você está me convencendo. Não, você é um homem. (Pausa) Você é homem, de fato.

6 de jul de 2008

Scarlett, falta-lhe O' Hara mas ainda há estalo de língua


olhar de quantos gumes
cativa de violência?
ora, porque não há O’Hara
em seu nome e é agressiva
veja seu decote-western
não há lugar para nós dois
sacaremos ao pôr do sol
.
contudo há poucas curvas
no rosto de quadrada
falta de enquadre
e sua pupila me dilata
acachapando.
e ainda falta O’Hara
no teu corpo Odara?
Woody discorda
assim como eu
amiúde
que além de teus
lábios, postas cujas fatias
grossas não existe
graça alguma (ou semelhante)
em qualquer salmão.
e seu olhar arguta
(matchpoint-me)
as tentativas de sono
entre encontros e desencontros.

1 de jul de 2008

diário árabe - fragmento sem data

Eis o segundo fragmento que consegui traduzir do diário. Acredito que seja quase uma citação ipsis litteris , ou um plágio (o que seria bem mais inquietante), do Dicionário Kazar, do fragmento: ficção.
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minha fala, enfim, repousa no sopro de Alá, entre o verdadeiro e o falso futuro, e nela a esperança da escrita por assim dizer, e assim mesmo distinguir as veredas. o espaço entre os passos do homem, tortuoso, é uma fenda onde repousa a escrita e a fagulha que faz do caminhar algum caminho para ti. o caminho e os passos não são simultâneos, daí a queda: a simultaneidade dos passos. os odores, como o caminho, são posteriores, mas nunca concomitantes. os odores são provocados pela glândula do peixe sem olhos, um óleo de rícino. e o tempo sem pressa ou ocaso se esconde em cada palavra sem alfabeto que o peixe desfere por dentro da correnteza, abafada como o silêncio da coruja acordada pelo relâmpago.