25 de out de 2008

Cabelo

sua língua de lança
em silêncio fere
por fora os anzóis
sem isca e me tranca
nas fechaduras
e tranças
se sua língua se lança
o silêncio me fere
por dentro no bem
me quer e por terra
caem minhas iscas
nas suas tranças
se sem a língua
sobre mim os lances
são dados de dor
troco contigo minhas
sobras de mar
trançado nas suas
tramas
de língua bifurcada
em pontas duplas
e palavras dúbias

20 de out de 2008

Alcachofra

repousa

a palma da tua

mão na minha?

pode ser que as linhas

tornem-se rabiscos,

e os dedos a trançar

cestas tramem um

repouso pros teus seixos,

queixo e cabelos.


11 de out de 2008

friagem

quando eu voltar

do terremoto quero

que meu queixo trema

de frio no teu colo


enquanto isso

Penélope


não canse a ansiedade

e a pressa

do balanço de tuas pernas

cruzadas sob as cadeiras