22 de mai de 2009

talvez um piano

pela primeira vez

enquanto quebrava as clavículas

constatei que por vezes levava o maior peso

nos ombros

agora leves

eu os balanço

como se deve fazer às balanças

para que dancem

já que são marionetes

18 de mai de 2009

Tarantella - parte 4

iv.

.

Basta uma maquiagem e Letícia se eterniza

a vaidade de menina é a premissa que interessava

e caracterizava o fascínio de Giácomo embora

pouco afeito aos caprichos e às manifestações

públicas de amor e ela sabia disso e incitava com

delicadeza o que de fato irritaria sua virilidade

circunscrita aos círculos mais restritos do

machismo moderno dos varões politicamente

incorretos e os juízos que fazia quando tatuava

nela brutas carícias eram sem dúvida a matéria

do tesão que cresceria em qualquer vadia mas

.

ela se enternecia e provocava seus instintos

mais ainda e se vestia pouco vestida e lhe servia

uma dose dupla de absinto o que não é nada

convencional para seus traços tão sutis

de personalidade rarefeita e aquele caso

era para todos o ocaso da selvageria

o que não acontecia quando existiam

quatro paredes e um teto e como gato

e cachorro se consumiam em um espetáculo

privado de maceração e sadomia

11 de mai de 2009

Tarantella - parte 3

iii.

.

Bernardo transpirava plena confiança

em seu rosto brilhava a perfeita metáfora

do sucesso que ao menos pra família

ele era o que dava certo e numa família

daquelas dar certo era uma tarefa

.

facílima para Bernardo que sempre

teve êxito no mundo onde não é nada

fácil dar certo e ele tirava isso de letra

e com as letras ele fazia o mundo e

todos ficavam pasmos e babando

.

seu ovo porque sabiam que só podia

sair pinto bom daquela granja e ele

sabia melhor que qualquer outro que

Gioconda não o amava só queria sua

cabeça e sua língua e ela era esperta

.

e ele sabia que aquilo ia acabar porque

ele sempre teve responsabilidades

apesar de ser sempre um cafajeste

de quinta de quinta a domingo