20 de ago de 2009

Rio de Janeiro, 20 de agosto de 2009

saiba, Lilian, já que nunca estivemos de meias

e verdades, a virtualidade do desejo

gera desconforto, até em mim,

e à primeira vista, quando o imediato salta

pelas frestas e aos óleos tudo que falta

é uma massagem, o púbis precisa de

um começo de conversa fiada

dos embargos que você faz a si mesma

e à voz basta uma língua aveludada,

sem ser caricata, mais lúgubre

e não menos lubrificada,

para que em nossos maus lençóis

(como num tapete desmontes

se guardam aos montes)

as nossas gargalhadas aticem

a tua realizada lascívia recatada

para si e sem os outros,

ao largo, live, fartos e, portanto,

livres dessa sua vontade de ir embora,

possamos nos lembrar do teu primeiro, múltiplo,

embaraço diante dos fatos,

antes, deixe eu te levar até a porta