31 de mai de 2010

10 de mai de 2010

muito pouco

atrás dos tímpanos, um grito temia o pior.

a frase veio a furo, contudo, de acordo

com o agouro: uma cigarra e o alvorecer

latejaram juntos, no átimo, e me calaram

o gozo. no espasmo interminável do susto,

o que ficaria grave foi por muito pouco.

3 de mai de 2010

no último sonho, meus antepassados

circulavam com o melado das colméias.

eretos e submissos, errávamos os alvos

sem motivos e oscilações de mercado.

o sorriso, lagarto, não diluía a promessa

da penugem dos nossos farrapos, mesmo

com uma faca enferrujada, engasgada

no gargalo da esperança sem respaldo.

todos os lados eram aferroados. um mesmo medo,

de estar calado, compartilhavam o negro

e o solo ávido de uma América suburbana

dedilhada nos escalpos refeitos dos familiares.