03/05/2010

no último sonho, meus antepassados

circulavam com o melado das colméias.

eretos e submissos, errávamos os alvos

sem motivos e oscilações de mercado.

o sorriso, lagarto, não diluía a promessa

da penugem dos nossos farrapos, mesmo

com uma faca enferrujada, engasgada

no gargalo da esperança sem respaldo.

todos os lados eram aferroados. um mesmo medo,

de estar calado, compartilhavam o negro

e o solo ávido de uma América suburbana

dedilhada nos escalpos refeitos dos familiares.

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