17 de dez de 2010

talvez não seja um punhado de cinza

pigarreando as narinas e a corrupção,

o avião e o escoamento em pleno

percurso. se eu te dissesse o tanto de sol

que se perde no escuro, vagalume,

retilíneos voaríamos na velocidade

do zumbido. tua respiração me prende

e debocha de tanto tilintar as chaves,

esta noite. trancafiado por lençóis

e contra a expectativa das lanternas,

a precariedade da cela, ou são vertigens,

vi ao avesso um céu sorvete de flocos.

importa pouco o que diz as cartas

ou quem te dá estas minhas fartas

mãos repletas de ases e viagens,

gemidos e rasantes, envio de pássaro.

aos seus olhos tudo é cometa,

o mundo estava exatamente aí,

prestes a acontecer. mais dantesco

que antes, agora, se tu dorme me despoja

um sonho ingênuo: jogo sem perigo

meu aeroplano na lua em pleno inferno astral.

3 de dez de 2010

oral

salientar no figo seu mosaico,

cuspe e sinestesia, desvendar

um cubo mágico de soluções

várias, sem o auxílio luxuoso

do pontiagudo. meus caninos

espreitam fome com focinho.