2 de jun de 2011

sardônica

apesar da relação íntima,

nítida somente ao rival, entre

as peças da trama (por influência

de um bispo) a perda de um peão,

a decepção da torre, o ímpeto

incontido, cavalo, não mudam

os movimentos, depois de feitos,

da rainha. mesmo não fosse

possível acusar (antes do golpe),

ela, por si, coloca-se

(qual se escreve “vende-se”)

contra a parede. distendida,

no máximo, digressiona.

sim, ambos, são súditos.

ao redor de si, por mais largo

que seja o esboço de seu rompante,

o contorno liso de seu dorso,

seu rosto todo é uma quina,

conspira por força de postura

esquiva. seu apelo, depor a suposta

soberania conjugal,

manter a linha, seu afiado fôlego.

diz, meu bem, os opostos se contraem

e seu espaço é pouco.

haja vista o ponto de vislumbre

do macho oposto, suas presas

esmaecem o chiaroescuro.

3 comentários:

Claire disse...

You have an informative blog. I’ve learned something from it. I do have mine too www.claire-fernandez.blogspot.com... thanks

wanessa g. disse...

adorei.

Silmara C. disse...

Lindo texto. Um feliz 2012 pra voce. Adorei seu blog. Parabens.